Esclarecimentos

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Fomos questionados sobre nosso sumiço durante essas últimas semanas. Antes de esclarecermos o que tem acontecido, queremos ressaltar que esse blog é muito importante pra nós - sabemos o quanto ele contribui para o desenvolvimento humano-espiritual de muita gente.

Estamos passando um "momento diferente" de nossas vidas; embora de férias das faculdades, parece que nosso tempo está ainda menor do que nos tempos de facul.

Nosso compromisso com vocês e conosco é que a partir da semana que vem retomaremos - aos poucos - o ritmo das postagens que sempre foram nossa característica. Poderíamos usar e abusar de Ctrl+c, Ctrl+v, mas isso seria desleal com o objetivo cultural-espiritual desse blog.

Pedimos que aguardem, pois os subversivos dessa casa ainda resistem ao sistema.

Fiquem todos na pax de Jesus Cristo, nosso Senhor e amigo.

Will

Evangélicos, Evangelicais e Fundamentalistas

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009


A origem e desenvolvimento do protestantismo brasileiro pode ser compreendida a partir de dois termos que voltam a ocupar a pauta de discussões relevantes na chamada Igreja Evangélica brasileira: evangelicalismo e fundamentalismo.



O termo “evangelical” é um anglicanismo que originalmente equivaleria à totalidade dos cristãos que se identificaram com a Reforma Protestante do Século XVI. Por esta razão, muitas igrejas acrescentam ao seu nome o adjetivo “evangélico” como oposição a “católico”.

Com o passar do tempo, o termo “evangelical” foi se distinguindo de “evangélico” – até o ponto em que se pode afirmar que todos os evangelicais são evangélicos, mas nem todos os evangélicos são evangelicais.

Já o termo fundamentalismo tem raiz histórica na Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana Americana, realizada em 1910 em resposta ao liberalismo teológico europeu.

Dali, saiu uma declaração de cinco fundamentos considerados inegociáveis à fé evangélica: os milagres, o nascimento virginal, a morte expiatória, a ressurreição de Cristo e a autoridade das Escrituras.

Estes cinco pontos foram desdobrados em uma série de 12 livretos chamados de Os Fundamentos. A respeito dos fundamentalistas, também se pode dizer que todos eles são evangélicos, mas nem todos os evangélicos são fundamentalistas.

O período evangelical contemporâneo, isto é, a existência do evangelicalismo como movimento nascido dentro do segmento evangélico, tem início no Congresso Mundial de Evangelização, realizado em Berlim, na Alemanha, em 1966 – evento convocado, dirigido e patrocinado pela revista Christianity Today.

Outro marco do movimento evangelical foi o Congresso Mundial de Evangelização, na cidade suíça de Lausanne, em 1974. Seu documento principal foi o Pacto de Lausanne, cujo relator foi o teólogo britânico John Stott, mas teve a contribuição significativa de teólogos latino-americanos como Orlando Costas, Samuel Escobar e René Padilla. Desde então, o movimento evangelical está associado ao chamado “espírito de Lausanne”.

Na verdade, o Pacto de Lausanne resulta de um processo de aproximadamente três anos, cheio de conflitos internos, especialmente entre os evangelicais e os fundamentalistas norte-americanos, ligados à Escola de Crescimento da Igreja de Donald McGavran e Peter Wagner, que consideraram o Pacto progressista.

De fato, os evangelicais criticaram o movimento fundamentalista em termos teológicos, ideológicos e estratégicos. René Padilla, em sua palestra A evangelização e o mundo, proferida em Lausanne, fez severas críticas ao imperialismo norte-americano e sua abordagem pragmática dos métodos de evangelização.

Entre os contundentes questionamentos de Padilla estavam a rejeição do “princípio de unidades homogêneas” como base para a estratégia missionária da Igreja, considerado por ele mundano, pois impulsiona os seres humanos a serem cristãos sem cruzarem as barreiras que os separam; a condenação à identificação do cristianismo com o american way of life; a simplificação da conversão como mudança de religião, em detrimento da mensagem que exige uma completa reorientação da vida em relação a Deus ao próximo e à criação; e a afirmação da imprescindível relação entre evangelização e responsabilidade social.

Desde Berlim, o movimento evangelical se desenvolveu na América Latina especialmente através dos quatro Congressos Latino-Americanos de Evangelização, realizados entre 1969 e 2000 na Colômbia, no Peru e no Equador. No Brasil, o evangelicalismo ganhou força nas duas edições do Congressos Brasileiros de Evangelização (CBE), em 1983 e 2003, e no Congresso Nordestino de Evangelização, 1988.

A atuação de instituições como a Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL), a Aliança Bíblica Universitária (ABU), o Centro Evangélico Brasileiro de Estudos Pastorais (Cebep), a Sociedade dos Estudantes de Teologia Evangélica (Sete), o Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC), a Visão Nacional de Evangelização (Vinde), a Visão Mundial e a Associação Evangélica Brasileira (AEVB) também foi determinante para a consolidação do movimento evangelical no país.

Os aspectos relevantes que distinguem o movimento evangelical do movimento fundamentalista podem ser classificados como teológicos, ideológicos e estratégicos.

O fundamentalismo se articula com ênfase no discurso apologético dogmático, mais preocupado com a defesa da fé bíblica, notadamente a partir de uma leitura literalista, moralista e filosoficamente racionalista das Escrituras Sagradas. Isso acaba gerando uma postura inquisitorial, uma vez que sua identidade implica o combate violento a tudo e todos que compreende como inimigos da sã doutrina e da moral e dos bons costumes. O fundamentalismo é vítima da prepotência ocidental, que confunde Cristianismo com positivismo e evangelização com colonização, e pretende fazer com que a fé cristã seja equivalente à cultura do homem branco imperialista.

Já o movimento evangelical se articula prioritariamente a partir da realidade do Reino de Deus e busca compreender e vivenciar todas as implicações do Evangelho todo para o homem todo, proclamando a redenção integral do homem e suas circunstâncias – isto é, sua realidade social, política, cultural e espiritual, respeitando a pluralidade ética e cultural do Cristianismo histórico, desenvolvendo uma estratégia missionária com base na Bíblia como um documento ao mesmo tempo divino e humano, portanto carente de constante contextualização e releitura para cada geração. Isso ajuda a compreender porque o movimento evangelical é também identificado como movimento da missão integral da Igreja.

A partir disso, podemos identificar pelo menos duas agendas para a chamada Igreja Evangélica brasileira.

A agenda fundamentalista está preocupada em descobrir métodos e metodologias capazes de apresentar uma mensagem e promover a adesão de pessoas às igrejas. Trata-se, sobretudo, de divulgar uma verdade conceitual que funcione como instrumento para tirar pessoas do mundo e levá-las para dentro das igrejas, que sobrevivem de eventos, programas e projetos voltados para o público interno, bem doutrinado e bem comportado, à espera do céu.

Por outro lado, a agenda evangelical está ocupada em sinalizar historicamente a realidade do Reino de Deus, buscando identificar-se com o próximo em sua complexidade, visando à transformação da sociedade – ou, como preconizou Lausanne, levar “o Evangelho todo para o homem todo, para todos os homens”, através do serviço e da proclamação.

A primeira agenda é avaliada pela capacidade de produzir igrejas de sucesso; a segunda, parafraseando Robinson Cavalcanti, comprometida em manifestar aqui e agora a maior densidade possível do Reino de Deus que será consumado ali e além, de modo a oferecer ao mundo um anúncio profético do novo céu e da nova terra.

Por Ed Rene Kivitz em CristianismoHoje

Preste atenção aos sinais!

Terça-feira, 30 de Junho de 2009


Quase no fim de mais um livro, fui surpreendido por Carlos Drummond de Andrade. Não sei se pelo fato de estar tão aberto - neste momento - ao amor, mas só sei que estou mais sensível à beleza poética das letras que tenho lido; penso estar Deus falando comigo através da literatura de maneira muito profunda nesses últimos dias...estou crescendo em sensibilidade. As palavras a seguir, estão ressoando intensamente dentro de mim.



"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceste.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, percebe: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeçe: Deus te mandou um presente divino: o amor.

Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e, em troca, receberes um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entrega-te: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo estiveres triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o teu sofrimento, chorar as tuas lágrimas e enxugá-las com ternura: poderás contar com ela em qualquer momento de tua vida.

Se conseguires, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...

Se achares a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se não conseguires trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se não consegues imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se tiveres a certeza que irás ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiveres a convicção que vais continuar sendo louco por ela...

Se preferires fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na tua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Ou às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixa-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor."

Carlos Drummond de Andrade

Morre Lentamente

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009


Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.


Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade.

Pablo Neruda

Ctr+c, Ctr+v do blog Soli Deo Glória

Avivamento

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Eu vi. Ainda não sei bem o que foi, se sonho ou realidade, se alucinação ou se apenas uma criação fantasiosa da minha mente, mas juro que vi.


Vi o dia em que a cruz voltou a ser a mensagem central da igreja de Cristo e a paz reinou entre os cristãos de todo o mundo. Não era um instante ecumênico, tampouco uma reunião com fins políticos, mas vi a igreja de Cristo unida cantando de maneira uníssona à pessoa bendita de Jesus. As diferenças doutrinárias estavam vencidas em favor da vida, o culto voltou a ser culto, a igreja voltou a “cair na graça do povo”.



Vi o amor reinar. A igreja não condenava mais o homem pensando ser esse o meio eficaz de expurgar o pecado, mas com muita consciência do Espírito Santo amava-o com intensidade, sem dar de ombros ao pecado. O discurso frio e condenatório havia sido abandonado e a mensagem da graça e do perdão predominava na igreja que seguia triunfante em Cristo.

Vi a justiça sendo proclamada pela terra por uma igreja forte, consistente e desinibida. Consciente da desnecessidade de perder-se preocupada com as necessidades temporárias, a igreja sangrava pelo que era eterno, justo e reto. Uma igreja ativista, defensora do mais fraco e frágil, alimentadora do pobre e faminto. Despreocupada com os templos e com as multidões a igreja caminhava – sem se iludir com as marchas – no caminho da graça, anunciando a graça do caminho e a predileção divina por todos os homens.

Vi a teologia sendo feita a fim de contribuir com o homem no seu processo de conhecimento do altíssimo, de si mesmo e do próximo. Sim, uma ciência que outrora serviu para manipular a verdade fazendo de muitos “predestinados” ao fogo eterno em nome de uma eleição incondicional, naquele instante passara a ser o instrumento usado pela igreja, para que os homens se ajustassem a Deus, conscientes de Seu caráter santo.

Na verdade não estava dormindo, tampouco pensando, minha atividade naquele momento era a oração; clamava a Deus que avivasse a sua igreja e tão logo Ele me respondeu, revelando-me o que realmente é avivamento – eu, um simples menino, que por muito tempo confundi histeria com o agir de Deus.

Ainda boquiaberto,

Will

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